sexta-feira, 3 de julho de 2015


PSDB dá trégua em briga interna para se reafirmar oposição

Por Luciana Lima - iG Brasília 
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Na convenção do partido, marcada para o fim de semana, os tucanos querem construir uma unidade e traçar estratégias para ser estuário de insatisfeitos com o PT

No domingo (5), os tucanos realizarão, em Brasília, a convenção nacional do partido que deverá reconduzir o senador mineiro Aécio Neves à presidência da legenda em uma chapa de consenso entre as correntes.
O deputado Sílvio Torres, aliado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumirá o posto de secretário-geral do partido, segundo posto na direção da legenda, hoje ocupado pelo deputado Mendes Thame. Já o ex-deputado José Aníbal passará a presidir o Instituto Teotônio Vilela.
O clima é de trégua. Os tucanos não querem que a briga sobre a escolha do nome para disputar a presidência da República em 2018, contamine a tentativa de unir o partido e se cacifar como primeira alternativa ao governo do PT.
Aécio Neves, senador tucano, diz oo momento não é propício para disputas internas no partido
Pedro França/Agência Senado
Aécio Neves, senador tucano, diz oo momento não é propício para disputas internas no partido
“Esta não é a nossa agenda”, diz Aécio ao iG. “Não tem sentido. O PSDB, ao final, estará unido para construir um novo projeto para o Brasil”, prevê o senador. “Este momento é hora de reafirmar nossas teses, nossos princípios, nossos compromissos”, afirma o tucano.
“O PSDB está unido. Há consenso”, confirma o deputado Jutahy Magalhães (BA), aliado de primeira hora do senador José Serra (SP).
Disputa entre Alckmin, governador paulista, e Aécio, senador mineiro, deve ficar para 2018
Divulgação/Governo de São Paulo
Disputa entre Alckmin, governador paulista, e Aécio, senador mineiro, deve ficar para 2018
Que a briga ocorrerá, ninguém tem dúvida, já que Aécio e Alckmin alimentam o projeto de se candidatarem à sucessão da presidente Dilma Rousseff. No entanto, a disputa pelo controle do partido neste momento só renderia prejuízo.
Para Aécio, o grande desafio do PSDB nos próximos anos será capitalizar os votos dos descontentes com o governo. Os mais jovens formam o público alvo do partido. “Esta convenção de domingo vai encontrar o PSDB talvez em seu melhor momento. Um partido reconciliado com setores da sociedade, do qual ele estava muito distante, principalmente os jovens”, analisa o senador.
Tucanos tentam manter a união para fortalecer o partido e aproveitar o crescimento de descontentes em relação ao governo de Dilma
Tomaz Silva /Agência Brasil
Tucanos tentam manter a união para fortalecer o partido e aproveitar o crescimento de descontentes em relação ao governo de Dilma
“As pesquisas últimas mostram que há um crescimento na preferência pelo PSDB, enquanto há um derretimento na preferência pelo PT, nosso maior adversário. Nada melhor para que o PSDB mostre quer tem um projeto para o País, mais elaborado e acabado que qualquer outro partido político”, considera Aécio.
Outro conceito identificado nas pesquisas e que tem norteado o encontro tucano refere-se aos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. As consultas qualitativas apontam que apesar de aparecer entre os mais jovens a revolta em relação ao governo, o impeachment é um desejo minoritário entre a população e não deve ser, uma defesa na convenção tucana.
Os tucanos também perceberam o arrefecimento deste movimento nas ruas e recuaram da estratégia de embarcar em ações para cassar o mandato da presidente.
Aécio tem tratado o assunto com cautela. “O sentimento geral no País é de que a presidente terá muitas dificuldades para garantir a governabilidade. Nós não vamos nos antecipar porque o afastamento de uma presidente da República é algo muito traumático. É algo que só pode ocorrer se as condições políticas e jurídicas se encontrarem”, afirma o tucano, que não deixou de ressaltar as críticas em relação a condução de País.
“O que me parece é que a cada dia que passa, o governo faz um esforço enorme para não terminar este mandato”, opina o senador.

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