terça-feira, 28 de julho de 2015


Brasil corre risco de perder grau de investimento, alerta S&P

terça-feira, 28 de julho de 2015 19:33 BRT
 
Por Walter Brandimarte
SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação risco Standard & Poor's alertou nesta terça-feira que o Brasil pode perder o grau de investimento devido a riscos políticos e econômicos, em mais um revés para os esforços do governo da presidente Dilma Rousseff de reconquistar a confiança de investidores.
A S&P manteve a classificação de crédito do Brasil de longo prazo em moeda estrangeira em "BBB-", o nível mais baixo do grau de investimento, mas piorou de "estável" para "negativa" a perspectiva da nota, sinalizando que um rebaixamento é possível em 12 a 18 meses.
Segundo a S&P, as investigações de corrupção em curso, que envolvem empresas e políticos no âmbito da operação Lava Jato, têm um peso cada vez maior nas perspectivas fiscais e econômicas. Na visão da agência, aumentou a chance de "novo deslize" na execução do plano de ajuste fiscal liderado pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento).
Embora algumas autoridades do governo já temessem possível piora de rating ou de sua perspectiva por agências de risco, poucos viam uma revisão pela S&P tão cedo. "Isso pegou o time de surpresa", disse uma fonte do Ministério da Fazenda, falando sob condição de anonimato.
Por outro lado, alguns viram na notícia uma oportunidade de maior munição para o Palácio do Planalto nas negociações com o Congresso para aprovação de medidas importantes para o ajuste fiscal. "O governo pode usar isso para pressionar o Congresso a acelerar a aprovação de medidas de austeridade e de projetos que aumentem a receita", disse um importante parlamentar da base aliada.
No mercado financeiro, o dólar acelerou a valorização contra o real, os juros futuros ampliaram a alta e a Bovespa perdeu força após a mudança da perspectiva do rating brasileiro pela S&P. O movimento, porém, teve curta duração.
"Não há nada de surpresa, já era esperado um movimento desse sem tirar o grau de investimento. O ajuste das perspectivas de agências já estava na conta", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves.
Para o economista-chefe do banco J.Safra, Carlos Kawall, as agências Moody’s e Fitch --que atribuem rating ao Brasil no segundo degrau da escala de grau de investimento-- devem cortar a nota do país e colocá-la em perspectiva negativa em breve.   Continuação...

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