terça-feira, 30 de junho de 2015



 

Crise grega deve levar Brasil a adiar emissão de título

DESTAQUES EM ECONOMIA

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A crise da Grécia deve colocar em suspenso a emissão de títulos da dívida do Brasil no exterior, mas ainda tem efeitos "periféricos" no mercado doméstico. Integrantes da equipe econômica avaliam que, com a taxa de juros brasileira em patamar muito elevado, não se espera fuga dos estrangeiros por causa do aumento da aversão ao risco.
Até agora, também não há nada que indique uma piora nas expectativas dos investidores nos papéis da dívida interna.
Já em relação ao mercado externo, a avaliação é que as condições estão se deteriorando. Na última semana, foi vista uma piora nas taxas de papéis de países emergentes no exterior.
O Tesouro brasileiro anunciou que pretende fazer pelo menos uma emissão externa neste ano. "Enquanto tiver essa confusão, o Brasil não vai (a mercado). Mas não tem pressa, não há necessidade de financiamento externo no momento", disse uma fonte da equipe econômica.
Economistas
Um eventual calote da Grécia terá pouco impacto na economia brasileira, mas pode provocar turbulências no mercado, segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
Para Carlos Kawall, economista-chefe do banco J. Safra, a Grécia não vai afetar o Brasil diretamente, as incertezas sobre o futuro do país provocam turbulências nos mercados.
"Medidas como o controle de capital, fechar bancos e um referendo no qual ninguém sabe direito o que perguntarão adiam o desfecho das questões", disse Kawall. "Mas os desfechos podem até não ser negativos, caso a população vote pela solução pedida pela União Europeia e a Grécia permaneça na zona do Euro."
Segundo o analista de economia internacional da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, a situação econômica brasileira é muito delicada e a crise grega pode ser uma questão a mais para complicá-la.
A decisão dos gregos pode exercer pressão no câmbio e nos juros. Mas a contaminação seria bem menor do que se ocorresse há três anos, porque a Europa se preparou para a crise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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